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quarta-feira, 4 de outubro de 2006
Diário de um tolo - 10
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É obra!
Não cominto nem desfirmo, mas é capaz de ser.
Houve algum prémio para o quinquilhanésimo incauto?
Sim, um convite para ir ver a exposição das T shirts museológicas do Alves Ambrósio no Paço da Cultura, válido para três pessoas.
Três pessoas?
Sim. Um é para o representante da Taschen em Portugal e o outro para a Margarida Rebelo Pinto.
Porquê?
O primeiro irá entregar uma menção ao A.A. de melhor cliente do hemisfério ocidental. A escritora ir-me-á explicar em detalhe de onde vem a suposta apetência das mulheres modernas por "carninha fresca", segundo a sua última crónica no "SOL". Até pode ser que a "mostra" a inspire para o seu próximo folheto.
Tu és mesmo complicado. Adiante. Que dificuldades tens sentido, agora que já és um bloguista encartado?
Muntas, a bem dezer. Mas nunca hei-se superar o desgosto por a Letícia não me ter comunicado pessoalmente que o nascituro infante burbónico vem a caminho, por supuesto.
E projectos para o futuro?
Olha, tens lume?
terça-feira, 3 de outubro de 2006
Vida e opiniões de um liberal
segunda-feira, 2 de outubro de 2006
Uma aventura no país do Simplex
Recentemente, chegou-me ao conhecimento mais um caso insólito, demonstrativo de como a Administração Pública lida com os cidadãos. Um amigo meu, desempregado, após consulta das acções de formação disponíveis no IEFP, inscreveu-se num curso intitulado Gestão de Instituições Sociais, destinado a ACTIVOS qualificados, note-se. Passados uns meses, recebeu uma convocatória para se deslocar ao Centro de Emprego da Guarda, referente ao mencionado curso. Pois bem, à hora marcada apresentou-se e, após uma breve apresentação, fez uns testes psicotécnicos. Passados uns dias, foi lá novamente, para uma entrevista que concluía o processo de selecção e entregar uma declaração em falta. Foi-lhe dito que reunia todas as condições para frequentar o curso, que começaria em Outubro. Três dias depois, é informado por telefone que, afinal, já não podia ser admitido, uma vez que, embora dado como desempregado, tinha actividade aberta nas finanças. É claro que o meu amigo ficou estupefacto, pois a sua actividade profissional habitual é residual. Por outro lado, após ter questionado os serviços, foi informado que o curso, embora estivesse previsto na modalidade pós-laboral, tal não fora contemplado para este Centro. Parece mentira, não parece? Gostava então de saber para que é que existe o IEFP? Pelos vistos, em vez de dar conta das condições reais dos utentes que a ele acorrem, faz uso de práticas e de regras absurdas, privando as pessoas que REALMENTE precisam, de se valorizarem para o mercado de trabalho. Que graças a umas habilidades estatísticas, se vai tornando num mero agente de propaganda dos Governos, manipulando os números para parecerem mais pequeninos e cada vez mais próximos da ficção.
A biblioteca de Tamegroute
Os livros são ainda os testemunhos por excelência da memória. Correspondem a uma das poucas características universais, comuns a qualquer cultura: a necessidade de registar os sonhos, os pensamentos, as fantasias. Borges relatou numa das suas obras que o mesmo Imperador que mandou construir a Grande Muralha da China foi o mesmo que mandou destruir todos os livros existentes no Império. Como se, por causa disso, o tempo começasse a correr de novo e a memória se apagasse.Fazendo parte do mesmo edifício onde funciona uma confraria religiosa e um centro de estudos teológicos, a biblioteca encerra tesouros imemoriais. Foi fundada por Mohamed Abu Nasr no séc. XVII, a partir de obras adquiridas ao longo das suas várias peregrinações a Meca. Cada uma das suas viagens transformou-se num périplo de vários anos: Egipto, Etiópia, Arábia, Iraque, Síria, Pérsia…
O acervo contempla desde manuscritos com nove séculos, tratados científicos, obras religiosas da idade do ouro do Al Andaluz, exemplares do Corão gravados a ouro, sendo o mais antigo do séc. XIII, iluminuras em pele de gazela e, sobretudo, uma tradução de Pitágoras para árabe, com 600 anos, numa época em que esta ainda era a língua das ciências. Em Tamegroute, os autores persas e gregos repousam em paz. E foi graças às traduções árabes que o seu saber foi transferido para o Ocidente, via Andaluzia, como se sabe. Filosofia, mística, direito e história do mundo muçulmano estão igualmente presentes em abundantes compilações.
