sexta-feira, 2 de junho de 2006

Nova cara

Caros leitores e leitoras:

Para quem tem visitado com frequência este blogue já se deu conta que, recentemente, sofreu uma profunda reestruturação ao nível gráfico. O que implicou, numa via experimental, o recurso a vários modelos sucessivos, numa lógica de tentativa e erro. Durante este processo, é natural que tenham sentido alguma perplexidade. Mas eis que o barco chegou a bom porto e o que agora vêm é a solução gráfica adoptada. Espero que seja do vosso agrado, tanto como o está a ser para mim.
Para os que só agora chegaram, que sejam bem-vindos.
Obrigado.

quinta-feira, 1 de junho de 2006

Nel mezzo del cammin di nostra vita
Mi ritrovai per una selva oscura
Ché la diritta via era smarita


Dante, Divina Comédia

quarta-feira, 31 de maio de 2006

6 Variações


INDIFERENÇA
Gostamos de ver o charlot
guerrear com as nossas
estátuas de gelo

ZEN
Gostamos de percorrer
ramo a ramo
o lótus adormecido
nas nossas mãos cegas

SONHO
Gostamos de pintar uma asa
no pó das cavernas profundas

DESEJO
Gostamos de não esperar
o gosto acre do outono,
a dança ímpia da primavera

NAXOS
Perguntam-nos que flor pode ter
o nome de ariadne:
se fulgor de cavalos jovens na neve,
se espelho reflexo de água

NOCTURNO
Chama-te a minha voz
e chama apenas
o teu nome em mim...

in "Labirintos"

terça-feira, 30 de maio de 2006

O Código d´Avintes anda aí a circular nas livrarias e feiras do livro. Broa! Isto é, boa... malha! Simples, ou com manteiga, é do melhor que há. E bibópuorto!

Diário de um Tolo - 2

Variações sim porém não é o antónio mas o sebastião goldberg que o náufrago gould das produções vintage toca como ninguém é o que estou a ouvir mas aposto que isto vos interessa tanto como o número exacto de virgens que o imperador heliogábalo mandou desfilar em roma depois da conquista da síria montadas em elefantes ao som dos címbalos e dos cânticos das vestais eis que vivemos num tempo impossivel para a loucura e para a doce crueldade o gajo toca mesmo ah pacheco luiz que agora convives com os mortos anunciados e proibidos nesta coisa clean e jovial são encomendas que urge despachar quanto antes o que interessa é o perfil apresentável e dinâmico não é verdade ó emproados que não sabeis apreciar uma vinha em setembro ou uma criança grande que parte copos demasiado frágeis para a sua alegria e o seu amor deserto porque nada é igual a isto nada nem a morte a morte na luz desesperante na queda de uma parte de deus no centro de um círculo ilusório e como que ponto vivo das palavras de elsinore as do país da magia do abandono da nudez da modificação e do despojamento talvez o destino insensato do viajante no deserto não é verdade ó enfatuados preâmbulos de coisa nenhuma superlativos rançosos da opevê da vidinha entre o job a domus e o poema que jamais esperará por vós sim vós que nem sequer sabeis olhar para a vossa escolhida como uma aparição diária vós angariadores do tempo mas não de um tempo o tempo de bach que agora escuto vós os apressados inúteis na bestial tarefa de prescrutar a vossa inutilidade patética bach ilumina-me joyce vem também o meu ódio cresce tanto como a urgência do amor a neve continua a cair conheço-lhe o sabor tal como o de um relâmpago estendido à beira do outono e cujas forças experimento sem saber porquê risível transporte patética fantasia imprudente erudição venal condescendência
afinal a neve não existe
só aves cegas rodopiando em busca de terra

quella sí lontana sorrise e poi si tronò all'eterna
fontana
depois só ficará a minha lágrima de ray que ainda não parou de me enganar
tão
docemente.

Nota de rodapé, em jeito de legenda: a Guarda em Fevereiro, vista de casa.

O Guronsan

AAAAAAAGGGGGGHHHEEEE!
(Acordo)
HUGA, HUGA. TRÂNSITO KABUNGA?
(Pergunta a locutora na rádio, num debate incompreensível)
PPPPRRRRREEEEE...EEE....PFFFF.
(Respondem-lhe os meus intestinos com mestria)
XXNEQUE...SCAFE...PLIMMMM...PUNGGGG...
(A mão tacteia à procura do Guronsan)
UUUFFFFFFHHHH!
(Suspiro de alívio ao encontrar o Guronsan)
RRGGGGGEEEE...CRICC...RRRRAL...
(Range a cama quando me levanto)
KKTRIIIIMPLASHHH....
(Lá se foi um vaso de estimação da minha avó antes de chegar à cozinha...)
TTCCCCHHUUUFFFFFFH...PLIC
(Encho um copo de água)
PLOCHE...PLIC...PLIC...
(O Guronsan cai no copo e saltam duas gotas de H2O)
FFFSSSSSSSHHHHHHHHEEE...
(O Guronsan dissolve-se)
GLUP, GLUP, GLUP...
(Bebo o líquido efervescente)
BLHAC!
(Vai tu!)
AAAARRRRRG!
(Arroto)

Como já dizia Rimbaud: "Je est un autre"

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Lido

Faço paisagens com o que sinto. Faço férias das sensações.



Fernando Pessoa/Bernardo Soares, O Livro do Desassossego