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sábado, 12 de setembro de 2009

A tenda dos milagres

Ontem pude assistir durante algum tempo à emissão do canal BENFICA TV. Esperava uma programação dinâmica, plural, entusiástica, com alguma imparcialidade na defesa e promoção da instituição, pois só assim a imagem que passa terá alguma credibilidade. O que vi desmentiu completamente essa expectativa. Estava a passar uma emissão onde o pivot era o Ricardo não sei quantos, aquele rapaz de barba que já moderou um programa de má língua na SIC, chamado "não sei quê dos infernos". Desculpem-me estas brancas. O facto é que praticamente não vejo TV e, quando o faço, opto pelos canais temáticos. Havia então dois convidados. Um deles, mais comedido, lá ia mostrando capas antigas de jornais desportivos e dizendo umas loas. O outro, logo que o vi, percebi logo: "temos aqui case study!" Imaginem um personagem que consegue debitar o catecismo oficial da actual direcção, somando para isso inanidades que nem numa conversa de tasca ficariam bem! O fato à pato bravo, o verbo fácil, o adjectivo luxuriante, a desfaçatez primária, o sectarismo delirante, o riso escarninho, a proverbial barriga de marisco, compoem razoavelmente o personagem. Ou seja, o factotum típico, o homem de mão do intendente Vieira. Que poderia estar ali ou a vender tectos falsos ou carros usados. Em vez disso, tece encómios ao chefe, sem uma réstia de humor e muito menos dignidade. Por fim, há uns telefonemas em directo, de adeptos dos 18 aos 70 anos, de Caminha a New Jersey, de Sagres a Maputo. Pois acreditem que o discurso é afinado pelo mesmo tom: a eterna teoria da conspiração, "agora é que é!", "nada de euforias, pois o sistema já começou a manobrar,, "Jesus é o Salvador!". Desta forma se comprovando o seu benfiquismo em versão vieirista. A lengalenga confessional prossegue, como um ritual acrítico, deprimente, insalubre... Em verdade vos digo, meus amigos; prefiro assistir à TV dos evangélicos, com milagres em directo e promessas em diferido! Haja paciência! Ser benfiquista e manter a lucidez, como tenta fazer o escriba, dá trabalho que se farta!

NOTA (13.09): Hoje fui hoje assistir ao jogo do Restelo. E nada melhor para "normalizar" a minha relação com o clube do que os quatro secos com que os de Belém foram despachados!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O morcão ataca de novo!

(retirado do "Fanáticos Benfica")

O programa televisivo " Trio de Ataque", na RTP N, era um exemplo bem conseguido do género "debate futebolístico com comentadores dos três grandes". A razão era simples: a qualidade e a elevação dos dois principais intervenientes: António Pedro Vasconcelos e Rui Moreira. O outro, o do clube dos viscondes e que já foi sindicalista, é o tal que diz "ab hominem" e acha bem que os treinadores comecem a insultar toda a gente a torto e a direito, desde que equipem de verde e usem risco ao meio. Da figura, que trabalha em sondagens (depois de alguém lhe ter explicado que não eram furos artesianos) nem me vou ocupar aqui hoje. O caso de Rui Moreira é que é paradigmático. Uma vez que encontrar um adepto de referência do FCP bem educado e capaz de argumentos racionais é um achado. Um verdadeiro case study. Pois esta minha preferência televisiva durou até ontem. O homem deixou finalmente cair o verniz e revelou a sua verdadeira natureza. Nessa edição do programa, para lá de uma excitação anti-benfiquista extra, às tantas dirige-se a A.P. Vasconcelos e manda-o calar, dizendo que ele não era o "moderador do programa", se pensava que era "especial" e outros mimos do género. Nem queria acreditar no que estava a ouvir! Passados alguns intantes, mal-humorado, recusou-se a responder a uma pergunta do pivot. No seguimento, referiu que tinha sido primeira página do jornal oficial do Benfica, de forma pouco elogiosa. Tentando com isso justificar a sua aleivosia do momento. Mas o que é que esperava? Que o jornal do adversário desportivo o convidasse para tomar chá? Que o estatuto de figura pública só valesse para os benefícios? Rematou então com uma frase onde entravam "galináceos" e outros adjectivos murmurados. Foi a 1ª vez que vi na TV um comentador avençado a insultar em directo adeptos de outros clubes! Para mais, alguém supostamente instruído, com algum jogo de cintura e capaz de trocar argumentos razoáveis. Portanto, este espisódio revelou um (até ao momento insuspeito) andrade economista, que insulta em directo milhões de pessoas! E uma em particular, por quem tenho um especial apreço, como cineasta, homem de cultura e comunicador. E benfiquista a sério, claro! Confesso que já há muito não assistia a algo tão miserável e onde fosse tão fácil tomar partido!!! A indignação, permanece. O programa em causa nunca mais me terá entre os seus espectadores...

domingo, 16 de março de 2008

E que tal mudar de figurantes?

Ontem passou um documentário no Discovery Channel sobre os Descobrimentos portugueses, intitulado "Naus e Caravelas". A produção era norte-americana, como é norma naquela estação. O programa apresentou-se bastante equilibrado, quer do ponto de vista narrativo, quer do rigor histórico. Incluía depoimentos de historiadores e investigadores nacionais, bem como figuras ligadas à oceanografia. A que se juntaram declarações de investigadores indianos, japoneses e um luso-descendente de Malaca. A informação centrou-se na tecnologia marítima e militar desenvolvida pelos portugueses nos séculos XV e XVI, e sobretudo na construção naval. Até aqui, nada a apontar. Todavia, há um aspecto que, infelizmente nada tem de insólito, mas já começa a ser anacrónico. Trata-se da reconstituição dos ambientes da época, com figuração própria. Os marinheiros portugueses eram apresentados como um grupo de façanhudos com ar aciganado, briguentos, pouco mais do que homens de Neanderthal manejando astrolábios, quadrantes e levantando padrões por onde passavam. O próprio infante D. Henrique mais parecia um ayatollah do séc. XV. Imagino que se mostrassem as portuguesas, decerto não faltariam bigodes farfalhudos e peitos de fazer inveja à Ursula Andress.

segunda-feira, 12 de junho de 2006

O canal SPORTV tem-nos habituado a um comportamento tipicamente monopolista, lesivo dos interesses dos consumidores e muito duvidoso em termos de concorrência. Veja-se o passado recente. Primeiro emitiu a célebre circular onde pretendia impedir a transmissão dos jogos do Mundial de Futebol em estabelecimentos abertos ao público. Corrigida logo depois, saliente-se. Soube agora que a Cabovisão está a cortar o sinal a três canais que distribui - o M6, a RTL e a RaiUno - durante o período em que estas estações, em sinal aberto, transmitem os jogos daquela competição. Contactada aquela empresa, foi-me dito que tal acontecia porque a Sportv detinha o exclusivo das transmissões. Como se vê, há um canal difundido por assinatura, que dá instruções à rede que o distribui para silenciar outros canais, por razões puramente comerciais. Canais esses que também pagaram os seus direitos de transmissão dos jogos. Para quando uma tomada de posição sobre o assunto pela Alta Autoridade da Concorrência?

terça-feira, 28 de março de 2006

Uma Seca dos Diabos

Costumo ver ocasionalmente, de há uns meses para cá, o programa humorístico "Prazer dos Diabos", na SIC Comédia. Desde a saída da Ana Lamy como apresentadora, já tinha dado por alguns óbvios sinais de desgaste, (dois, lolol) quer no formato do programa, quer na qualidade e pertinência das intervenções.
O José de Pina revela algum trabalho de preparação prévio e equilíbrio no tratamento dos temas. Denota também assinalável sentido de humor, do tipo absurdo.
O Fernando Alvim não descolou daquela imagem da piada fácil, do trocadilho maroto, de alguma brejeirice de caserna.
Quanto ao Pedro Boucherie Mendes o caso é mais complicado. Revela um primarismo ideológico e cultural de bradar aos céus. Tem mesmo ódios de estimação: o Manuel Alegre, que quis crucificar por ter tido a preferência de 1 200 000 portugueses, incluindo estes votantes na sua saga caceteira; o Benfica, a quem vilipendia frequentemente os adeptos, o treinador, os jogadores, o clube, a instituição, em suma. Nunca percebi porque é que os adeptos do F.C. Porto e Sporting necessitam de exibir compulsivamente tanto anti-benfiquismo, tanta falta de fair-play, tanta ausência de espirito desportivo. Será um reforço identitário ou uma patologia de raiz edipiana? Em qualquer caso, este case study deveria merecer a atenção de psiquiatras e antropólogos.
De qualquer forma, o senhor já me irrita para além das medidas e estou convicto que já começa a irritar as últimas centenas de portugueses que ainda se dão ao trabalho de assistir a esta coisa sensaborona.