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terça-feira, 16 de setembro de 2008

A impostura

Ontem à noite, passou no Pequeno Auditório do TMG o documentário Loose Change (2ª edição, 2007), de Dylan Avery. Trata-se de uma versão depurada da primeira, mas retomando a visão revisionista dos acontecimentos do 11 de Setembro. Num registo muito em voga, tributário do blockbuster "Código da Vinci": mistério, conspiração, ocultação de provas, a História como branqueamento da ficção e vice-versa, etc. As "provas" apresentadas na primeira versão foram naturalmente consideradas falsas, por investigadores independentes, meios de comunicação e pelas vozes mais representativas da comunidade científica. Basicamente, neste filme Avery pretende fazer vingar a ideia de que, afinal, os atentados foram obra do próprio governo americano. Com uns efeitos especiais dignos da melhor ficção científica. Já agora, relendo os Protocolos do Sião, porque não considerar que os culpados foram os judeus, ou o estrangulador de Kiev, ou uma seita milenarista, ou até mesmo o professor Pardal? Esta demência conspirativa fez escola. Mas será explicável unicamente pelo tédio civilizacional? Pelo anti-americanismo enquanto último reduto da esquerda relativista? Pela cobardia exemplificada no caso dos cartoons dinamarqueses, da estreia gorada de uma encenação do Idomeneo de Mozart, na Alemanha, na retirada de um quadro de Lucas Cranach do metro de Londres? Onde pretendem chegar impostores como Avery? Ganhar dinheiro com as vítimas? Ou essas também são invenção? Vendo bem, não tardará a aparecer uma terceira edição deste embuste. Provando, por A+B, que os atentados de Londres e de Madrid também foram organizados pelos respectivos governos. Verdadeiros agenciadores do terror. Haja vergonha e um mínimo de respeito pelas vítimas!

PS: Após o filme seguiu-se um debate que, imagino, deve ter sido profícuo, mas que lamento ter perdido. Graças a uma irritante inflamação no pé esquerdo, a qual me tem retido em casa desde domingo, não havendo razão para requisitar uma cadeira de rodas.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Arrastinho

1. Acho piada à ralé esquerdalha: sempre com Guantanamo na boca. A "prisão sem lei" para aqui, "a prisão do imperialismo" para acolá. Já ninguém se lembra dos crimes do 11 de Setembro, como convém. Curiosamente ou não, esquecem-se também - ele há coisas! - da realidade confinante: Cuba. O que é esta nação caribenha senão uma gigantesca Guantanamo, onde um regime despótico e brutal encarcerou o seu povo sem julgamento prévio? A esta propósito, recomendo uma visita ao magnífico blogue Generación Y, de Yoani Sanchez. Uma voz censurada, mas não silenciada, cuja história já aqui contei.
2. Os ciganos aos tiros na Quinta da Fonte. Até podiam ser ETs. As balas não têm etnia. Neste país há leis. Iguais para todos. Todinhos. Ou por serem aplicadas aos ciganos já há discriminação? Confesso que já atingi o limiar da paciência com este discurso paternalista dos crybabies esquerdalhos do costume.

domingo, 16 de setembro de 2007

O querido líder


Nos idos de 75, a iconografia de inspiração maoísta produzia estas relíquias. Entretanto, no Império do Meio, a Revolução Cultural lá ia reeducando os futuros educadores do povo. Com o povo himself. Há quem lhe chame um círculo vicioso, mas tratava-se mais de um quadrado. Alguns milhões de reeducandos não aguentaram a emoção de tão salutar convívio, é claro. E acabaram no Além ou no cárcere. "Detalhes", como diria outro grande líder, mais para Oeste. Pois nós tivemos o privilégio de dispor de um grande educador. Assim, à mão de semear. E ninguém quis aproveitar! Somos realmente um país de ingratos...
Não obstante, fixemo-nos no exemplo e façamos de Barthes. Olhemos para o mito e esqueçamos o pathos ideológico. Decifremos a mensagem e ignoremos o mensageiro. O que temos? Por um lado, publicidade pura e dura:
um conteúdo promocional, necessariamente subjectivo, que por persuasão ou simples sugestão, apela à sua adesão. Se lá constasse "empresa líder do mercado, aconselhada pelas principais marcas, vai fazer uma revolução nos preços", a diferença seria assim tanta? Mas há também a marca inefável de uma inocência quase escandalosa, pueril. Que afasta qualquer suspeita de filiação num programa povoado de sombras e de monstros.