O Dr. Menezes, conhecido chefe da banda vindo de Gaia, assessorado pelo Engº. Ribau e mais umas luminárias, já anda a trabalhar no arame, tentando fazer durar o seu deslumbramento com a ribalta até as pilhas acabarem e o anedotário nacional se enriquecer. O coelho agora saído da cartola é uma espécie de arranjo de secretaria para futuras chapeladas internas, just in case. E, já agora, criar um sucedâneo de ANP informal, formada pela nomenklatura do momento. Capucho já bateu com a porta e Rui Rio foi chamado ao gabinete do reitor. Pelos vistos, a fúria desmanteladora do Dr. Menezes já começou no seu próprio partido. Precisamente para acabar com ele.
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quarta-feira, 12 de março de 2008
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Coragem de quê?
Rui Ramos comenta hoje no "Público" um livro de Luís Filipe Menezes. Como já se notou, o actual líder do PSD é um dos bombos da festa predilectos neste blogue. Escreve o historiador e cronista:
«Não sei se fazemos um grande favor aos políticos quando lemos os seus livros. Experiências recentes fazem-me pensar que não. E Coragem de Mudar, que Luís Filipe Menezes fez sair durante a sua marcha para a liderança do PSD, confirmou a impressão. Li-o só agora. E, sem recomendar a leitura, sempre direi que talvez tivesse poupado alguns erros de previsão acerca da liderança do autor. O livro de Menezes inclui uma entrevista especialmente reveladora acerca da sua pessoa. Não me refiro à pessoa privada, que não nos deve interessar, mas à sua pessoa pública, ou mais exactamente: à imagem que ele gostaria de dar de si próprio. Eis o que descobrimos: “Sou capaz de fazer dois mil quilómetros num fim-de-semana para ver uma exposição.” Ou isto: “Cosmopolitismo, para mim, é navegar ao luar nas Marquesas, é entrar no Triângulo Dourado e acampar no Norte do Camboja”. Não temos aqui alguém a expor-se aos seus semelhantes, segundo o método radical de Rousseau, mas uma pessoa desesperada para ser aceite. Ou, nas suas palavras, “amado”. É uma carta de amor, e, como tal, ridícula. O destinatário somos todos nós. E parece que Menezes imaginou, como qualquer rapaz de 15 anos, que nós, como qualquer rapariga de 15 anos, nos deixaríamos comover por devaneios de Indiana Jones, fúrias cinéfilas e vestígios de leitura. (ler mais)
«Não sei se fazemos um grande favor aos políticos quando lemos os seus livros. Experiências recentes fazem-me pensar que não. E Coragem de Mudar, que Luís Filipe Menezes fez sair durante a sua marcha para a liderança do PSD, confirmou a impressão. Li-o só agora. E, sem recomendar a leitura, sempre direi que talvez tivesse poupado alguns erros de previsão acerca da liderança do autor. O livro de Menezes inclui uma entrevista especialmente reveladora acerca da sua pessoa. Não me refiro à pessoa privada, que não nos deve interessar, mas à sua pessoa pública, ou mais exactamente: à imagem que ele gostaria de dar de si próprio. Eis o que descobrimos: “Sou capaz de fazer dois mil quilómetros num fim-de-semana para ver uma exposição.” Ou isto: “Cosmopolitismo, para mim, é navegar ao luar nas Marquesas, é entrar no Triângulo Dourado e acampar no Norte do Camboja”. Não temos aqui alguém a expor-se aos seus semelhantes, segundo o método radical de Rousseau, mas uma pessoa desesperada para ser aceite. Ou, nas suas palavras, “amado”. É uma carta de amor, e, como tal, ridícula. O destinatário somos todos nós. E parece que Menezes imaginou, como qualquer rapaz de 15 anos, que nós, como qualquer rapariga de 15 anos, nos deixaríamos comover por devaneios de Indiana Jones, fúrias cinéfilas e vestígios de leitura. (ler mais)
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quarta-feira, 22 de agosto de 2007
O nó górdio
No weblog de Luis Filipe Menezes apareceram vários textos retirados da Wikipédia e vários websites, assinados pelo próprio e sem qualquer referência à respectiva fonte. As postagens dizem respeito a Miguel Torga, à bomba de Hiroshima e ao desaparecimento de Antonioni e Bergman. Já depois de a notícia ter sido divulgada, o candidato à liderança do PSD corrigiu o tiro: ao mesmo tempo que enviava uma nota à imprensa, editou as fontes nos lugares próprios. Qual o significado do episódio? Escasso, pois só confirma a ideia que já tinha de LFM: um poço de contradições, populismo q.b., zero em ideias, menos que zero em projecto. Uma autêntica reedição do Lopes, revista e aumentada, com pronúncia do Norte. Além disso, escreve francamente mal. A propósito, vejam-se alguns excertos da postagem "Os Nós e os Laços" (será que LFM procurou criar ambiance com o romance homónimo de António Alçada Baptista, ou foi simples coincidência? Não se sabe): "Existe uma matriz, diria, genética nesta maneira de ser..." (o diria no início da frase é tipicamente politiquês e a vírgula inexistente após genética faz a diferença. Para pior); "a excessiva e asfixiante burocracia, é um dos nós mais górdios que nos estrangulam o desenvolvimento" (um dos nós mais górdios? quais serão os menos górdios? e não será a burocracia, por si só, um excesso?). Enfim, espero que LFM se mantenha entretido a compor a marginal fluvial de Gaia e não nos mace durante muito tempo com os seus ditirambos.
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