quinta-feira, 27 de maio de 2010
Basta!
O "Diário Económico" anuncia que Passos Coelho está próximo da maioria absoluta. O afilhado de Ângelo Correia tem assim o caminho aberto. A mim nunca me apanharão neste corropio. Não gosto de quem é apoiado pelo Menezes de Gaia, pronto! Parece um freak show para atrasados mentais! O rapaz é lavadinho, penteadinho, preparado para o baile de finalistas da paróquia. E mais, parece ter a lição estudada antes da prova oral. O problema é que o mundo real requer muito mais do que um rapaz aprumadinho e da escolinha dos partidos. É preciso alguém com convicções, com grandiosos defeitos, caramba! Mesmo que risíveis! Com um nó da gravata mal feito! ... Estamos fartos de menininhos dos partidos! Já chega!
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Um lugar
Um lugar. Onde nenhum. Um tempo para tentar ver. Tentar dizer. Quão pequeno. Quão vasto. Se não ilimitado com que limites. Donde o obscuro. Agora não. Agora que se sabe mais. Agora que não se sabe mais. Sabe-se somente que saída não há. Sem se saber porque se sabe somente que saída não há. Somente entrada. E daí um outro. Um outro lugar onde nenhum. Donde outrora dali regresso nenhum. Não. Lugar nenhum a não ser só um. Nenhum lugar a não ser só um onde lugar nenhum. Donde nunca outrora uma entrada. Dalgum modo uma entrada. Sem um só além. Dali donde não há ali. Por lá onde por lá não há. Ali sem de lá nem dali nem sequer por onde.
Samuel Beckett
Jogo de cintura
Uma das características principais dos mistificadores, muitas vezes confundidos com os sonhadores, é quererem, à força, ver nas coisas o que lá não está, nem nunca estará. Arrastando os outros nessa vertigem. Muitas vezes o engano só serve para a composição da paz interior, para o sossego da própria mente. As consequências do facto, comprovadas pela História, são devastadoras. Pelo contrário, os verdadeiros sonhadores, um pouco como os piratas, são terrivelmente pragmáticos. Ou seja, distinguem-se por verem nas coisas o que já lá está, mas os outros ainda não viram. "Roubando" descaradamente a percepção aos que os rodeiam, para depois distribuir o saque e repartir a ambição. Todavia, se nessa matéria estamos conversados, noutro desiderato contíguo é mais difícil a arrumação. Refiro-me à tendência para vermos nos outros qualidade e atributos que não têm. Justamente para ilustrar um tese ou rendilhar uma mentira útil. Só conheço uma coisa ainda mais nociva: conseguir ver nesses outros unicamente os seus defeitos e limitações imaginários, mas não descortinar os reais.
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