quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Balancete com exercício
Nunca me arrependi de ter tomado aquela, ou esta, ou outra qualquer decisão. Desde que tenha implicado uma escolha entre várias possíveis, é claro. Porque era a que estava certa, naquele momento. Era essa, e só essa, a que a minha natureza profunda não pôde suster. Ou que um impulso vigoroso projectou para a ribalta. Ou, quando o gesto amplo que se lhe seguiu, acabou por cegar a hesitação e a dúvida que se lhe opunham. Ou quando a tibieza, não poucas vezes, impôs o seu catecismo. Ora, todas elas estão certas, porque todas se resolveram naquele momento, foram produzidas para aquelas circunstâncias, utilizando um termo caro a Ortega y Gasset. Outra questão, muito próxima, mas avaliada por outra unidade de medida: será que esses momentos de liberdade conduziram a resultados certos ou errados? Ir por aí é um caminho ingrato. E porventura inútil. Se um resultado se apresenta como negativo, nada a fazer. A não ser alterar as causas, para que outros semelhantes não se produzam.
Acordo ortográfico? Não, obrigado
Nem aqui nem em nada do que terei de escrever daqui para diante sobre o que quer que seja alguma vez "aplicarei" o acordo ortográfico que impõe a "lulização" do português. Não aceito a degeneração da minha língua por causa de não sei quantos milhões que alegadamente a falam ou escrevem como analfabetos funcionais. Quando me apetecer ler algum autor brasileiro (dos "palops" não tenciono ler nenhum), leio e ponto final. Para além disso - e literalmente - burro velho não aprende línguas. Os prosélitos e os literatos do regime tratam da questão como tratam, aliás, de tudo. Como os pequeninos "kim-il-zinhos" de trazer por casa que são. É que um "intelectual" que fala em "uniformização da língua" não é um intelectual. É uma besta.
João Gonçalves, no "Portugal dos Pequeninos"
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acordo ortográfico,
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Soltas de Fim de Ano
1. Ao que tudo indica, irei hoje ver o "Avatar", provavelmente em 3D. Tenho uns "cheques" para levantar bilhetes da Zon Lusomundo e toca a gastar antes que caduquem. O que aconteceria hoje, precisamente. Claro que, para quem se habituou a viver na 5ª dimensão, a 3ª é coisa de somenos. O pior vão ser as pipocas, a "miudaje" a sorver coca-cola como se fossem sarjetas ambulantes, os comentários em voz alta dos parzinhos enfardadores de confettis diversos ... E o que mais vier. Será que vou aguentar até ao fim sem me levantar, com o dedo em riste, qual novo Lénine da decência nas salas de cinema? Aceitam-se apostas.
2. Uma das frases do ano. Encontrei-a em "O Assassino à chuva e outras histórias", de Raymond Chandler (ed. Afrontamento), que "saquei" na Feira da Ladra por um euro. Diz o seguinte: "E ele iria tornar-se tão discreto como uma tarântula num bolo de noiva".
2. Uma das frases do ano. Encontrei-a em "O Assassino à chuva e outras histórias", de Raymond Chandler (ed. Afrontamento), que "saquei" na Feira da Ladra por um euro. Diz o seguinte: "E ele iria tornar-se tão discreto como uma tarântula num bolo de noiva".
domingo, 27 de dezembro de 2009
A idade dos porquês - 9
Porque é que só no país do bacalhau faz sentido dizer que a carne é fraca? Resquícios de cripto-judaísmo? Mais uma vitória moral, de que tanto gostamos? Mais um exemplo da homenagem que o pecado presta à virtude? Ou será que a verdadeira força está na fé e o conhecimento não é chamado para a questão?
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