segunda-feira, 31 de julho de 2006

Sonho de outra noite de Verão


Man Ray

sexta-feira, 28 de julho de 2006

A selva

Para rematar o caso da transexual Gisberta, o Ministério Público decidiu alterar a acusação de homicídio na forma tentada para ofensas corporais agravadas pelo resultado. Como se a vítima perdesse a qualidade de sujeito e se tivesse tornado uma coisa. Tudo bons rapazes, é o que parece depreender-se deste desvario. Que, no desiderato, mais não fizerem do que uma comissão de vigilantes populares teria feito, para limpar as ruas do vício e da aberração. Preocupante. Sobre o tema, remeto para a excelente crónica de Ana Sá Lopes na edição de hoje do DN, que me chegou por via do "Da Literatura". Já antes se tinha lido um impressivo texto de Fernanda Câncio em "Glória Fácil", intitulado "Maldita Gi".

Crimes exemplares - 6

Nessa manhã, parecia que uma improvável conspiração tinha remetido todos os meus gestos à inutilidade, à insignificância, à esfera do risível. Apetecia-me desaparecer sem deixar rasto, deixando uma tabuleta Volto Já para enganar os tolos e os repórteres. Abracadabra! Foi no supermercado que a coisa se deu. Estava na secção das frutas. Às tantas escorrego não sei em quê e caio no chão, com estrondo. Juntou-se imediatamente um coro de gargalhadas à volta. As mais irritantes vinham da empregada que estava nas pesagens, ao que juntava certas graçolas para quem quisesse ouvir. Mas era a voz, uma voz aguda e estridente, o que mais odiei. Recompus-me. Agarrei num coco e fiz pontaria à testa. Caiu redonda no chão, conseguindo-se ainda ver, por momentos, as cuecas às bolinhas.

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quarta-feira, 26 de julho de 2006

A Pimba do Pimba

Já não me ria tanto desde a chegada do homem à lua. Andava a passear pela blogosfera e não é que descobri esta pérola satírica no "Gato Fedorento". Sujeito: o site oficial da cantora ANA MALHOA. Predicados: vão lá e vejam. Não se arrependem. Para o ano que vem, quero fazer parte de uma comissão de festas de uma merdaleja qualquer para convidar a senhora átuarpróvivo.

Imagens de Portugal romântico - 5

Valença do Minho, com Tui ao fundo

Lisboa, Torre de Belém

Sintra


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Da linguagem - 2

A maioria dos homens é muito simples. Já as mulheres não, as mulheres complicam.Uma mulher nunca tem um namorado que não lhe liga, tem um namorado com traumas de infância que o impedem de comunicar. Uma mulher nunca tem um colega que não lhe liga, antes um ser torturado entre o afecto e o dever e não sabe o que fazer. Não tem um bandalho traidor e mentiroso, tem uma alma sensível com medo da intimidade e síndrome de Peter Pan e uma desgraçada de uma história de vida traumática que lhe explica os comportamentos menos ortodoxos. Para as mulheres é impossível aplicar o princípio de Occam, de eliminar o mais complicado para chegar à verdade. As mulheres, no geral, passam horas em análise depois de um encontro, depois de uma discussão, quando têm uma relação complicada. Reúnem as amigas em conselho de guerra e analisam, esmiúçam, dissecam cada palavra, cada gesto, cada atchim até lhes dar um sentido oculto e complexo. As mulheres são exímias intérpretes de sinais não verbais e de desejos subliminares, quer eles estejam lá, quer não. É a desvantagem de usar o lado direito e o lado esquerdo do cérebro. Os problemas de entendimento entre os sexos devem-se a questões de diferentes processos mentais e não só a educações e culturas diferentes para ambos os sexos. É verdade que muitos homens são complexos, mas no geral, quanto a emoções (não confundir com comoções), são claros como a água. Como diz um personagem do filme O Declínio Do Império Americano: "quando amo sinto desejo, e quando não desejo, não amo". Mainada. No geral, muito poucos homens fazem jogos mentais. Quando são opacos, esfíngicos, esquivos, é porque simplesmente não estão interessados. Só as mulheres conseguem ser tortuosas nestas coisas, porque os homens vão directos ao ponto de forma clara, mesmo que achem os seus esquemas subtis e elaborados.
Até aqui há uns anos, os homens eram educados para não mostrar emoções, serem frios e distantes. A minha geração foi a primeira que já não foi educada assim. Demonstrar emoções é coisa que não perturba. Se não as demonstramos, uma de três coisas pode acontecer: a) não estamos interessados; b) estamos interessados noutra pessoa; c) não estamos para nos dar ao trabalho, que mulheres há muitas, por isso esperamos até vir uma menos exigente. And that's all folks! Se um homem se esgueira a falar muito sobre emoções é porque ou não quer entrar ou quer muito sair da relação e não sabe bem como. Não nos incomoda a nega propriamente. Mas como elas pensam que ainda nos vemos como heróis de capa e espada prontos a servir a sua donzela, ou uns Steven Seagals prontos a andar à porrada por elas - o que no fundo até desejam, mas não admitem - detestamos ser desmancha-prazeres e dar más notícias directamente. E por isso adoramos tanto E-mails e SMS, formas ideais para acabar relações. As mulheres escreveriam cartas, debateriam semanas se era a atitude certa. Nós não, simplificamos ao telemóvel ou no MSN, evitando uma cena emocional. Nenhum homem que eu conheço sente uma necessidade inadiável de ir ter com os amigos e desabafar sobre a última discussão (será que ela ainda me ama ou a nossa relação está num marasmo?) ou dissecar aquilo que ela disse/fez/terá pensado/queria dizer (quando ela disse és um querido estava a ser simpática ou a dizer que gosta de mim de uma forma indirecta?). Estas coisas são puramente femininas. Até ver.

terça-feira, 25 de julho de 2006

Da linguagem

O Homem sabe que existem na alma matizes mais desconcertantes, inumeráveis e anónimas que as cores de um bosque outonal. Crê, apesar disso, que tais matizes, em todas as suas combinações e metamorfoses, podem ser representadas com precisão, por um mecanismo arbitrário de grunhidos e guinchos.

Chesterton, citado por J.L. Borges