domingo, 5 de fevereiro de 2012

Sarebbe bello vivere una favola - 23

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Bolosfera

No interior da vasta galáxia blogosférica existe o planeta futebol. E dentro deste, o asteróide composto pelos blogues benfiquistas, benficófilos e afins. Alguns deles, e não por acaso, estão listados no sidebar deste blogue, em "SLB files". Embora tendo em comum a mesma paixão clubística, todos têm uma linha editorial diferente: ou mais alinhada com o discurso oficial, ou mais crítica em relação ao mesmo. Há também os outsiders, num registo mais irónico e desprendido, onde a marca identitária é claramente a do autor. Mas há um que é um caso especial. Trata-se do "Religião Nacional". Um espaço cujo autor apresenta como de "Crónicas liberais sobre o futebol português". O subtítulo não engana e, na primeira leitura, confirma-se o seu acerto. Um caso onde a paixão clubística não belisca em nada a lucidez, a clarividência e o rigor. O autor não procura a arrumação politicamente correcta, nem os casos de faca e alguidar do futebol. Mas consegue, paradoxalmente, trazer-nos as visões mais desassombradas, polémicas e descomplexadas. O autor escreve artigos, pequenos ensaios. Fora de causa está o comentário fácil, ou os recados que só a bajulação acomoda. Aqui não cabe a  inveja social e humores ínvios, que muitos transportam clandestinamente para o futebol. E, de forma excelsa, fala-se deste por aquilo que realmente é: um jogo. Mesmo que com implicações políticas, cada vez mais extensas e muitas vezes opacas. Como exemplo, leiam isto.

Stalker

A hora

Não. Fica-te, se queres, a ruminar o que foste. Eu parto ao encontro do que sou, do que já começa a ser, meu descendente e antepassado, meu pai e meu filho, meu semelhante dissemelhante. O homem começa onde morre. Vou ao meu nascimento.

Octavio Paz, "Velho Poema", in "Águia ou Sol", Hiena Editora, 1985 (trad. Rui Rosado)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

6 anos


- O  "Boca de Incêndio" faz hoje 6 anos. Parabéns! O que nos podes adiantar sobre a efeméride?
- Olha, tens aí uns trocos? Isto anda mal! Sobre a efeméride, pois... epá, seis anos, os anos de uma só mão!
- Não me digas que as tuas mãos têm seis dedos?
- Não sejas engraçadinho, ó entrevistadeiro! É claro que têm cinco! O sexto veio de um adiantamento da outra mão.
- Já estou a perder a paciência! Queres dizer alguma coisa sobre a data ou não? 
- O importante é a rosa!... Sobre o blogue, olha, se faz seis anos já está em boa idade para ir desaprender alguma coisinha para a escolinha.
- E então?
- Então, acho que o Facebook fez estragos a sério na blogosfera. Houve quase que uma migração em massa. Eu tenho segurado este pelas pontinhas. Não sei até quando. Até já esteve para acabar... Mas consegui repartir o "mal" pelas aldeias. Em matéria de redes sociais, fica o FB para a notícia e o blogue para o comentário. O primeiro para a autofagia comunicacional e o segundo para as caminhadas onde o fôlego é tudo.
- E projectos?
- Vários. Mas um em especial, de âmbito literário, vai deixar em breve de ser surpresa. Olha, pagas-me um fino e uma sandocha de presunto?

A casa (22)

 Esta noite invoquei todas as potências. Ninguém respondeu. Caminhei ruas, percorri praças. interroguei portas, sondei espelhos. Desertou a minha sombra, abandonaram-me as recordações.

 A memória é um presente que nunca acaba de passar. espreita, colhe-nos de improviso entre as suas mãos de fumo que não soltam.

 
 A água do tempo escorre lentamente neste vazio gretado, cova onde apodrecem todas as palavras hirtas.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Balanxo 2011

Como vem sendo hábito, pelo Ano Novo, o Américo Rodrigues convida uma série de figuras ligadas à Guarda, entre os quais o escriba, para escreverem um balanço da realidade local do ano que passou. Os vários depoimentos são depois publicados no seu blogue, "Café Mondego". Para abreviar o intróito, foi assim que "vi" a Guarda em 2011:

"Um apanhado do que na Guarda se passou no ano transacto tem que ser necessariamente breve. Realmente, não se passou grande coisa. Há anos que não se passa, a bem dizer, nada que suscite a curiosidade ou a comoção do cidadão médio. Neste desiderato, já se sabe e especial relação entre as excepções e a regra. Numa equipa de futebol normal, um treinador dura em média três anos. E sai quer por defenestação ou pelo pórtico da glória. Passado esse período, entra-se na fase da institucionalização, com o seu cortejo de vícios e compromissos. Na Guarda, os treinadores têm uma espécie de bênção vitalícia. Certos interesses instalados têm a caução da eternidade. Criaram, e bem, um pântano cívico, onde a vacuidade e o medo prevalecem. Luzindo na impunidade, a salvo do escrutínio, na adoração de si e dos cúmplices a que dedicaram os seus dias, atingiram a bem aventurança em vida. Os cidadãos estranhos ao círculo são mantidos na periferia, em resultado de uma cautela mansa, habilmente acumulada, que se serve sem servir. Estes têm, digamos, uma utilização decorativa: no todo, com funções legitimadoras, de pretensa higiene democrática, tropas prescindíveis; na parte, sem função alguma.
Por outro lado, o pecadilho da desatenção e um módico de prudência aconselham à brevidade. Impossível passar em revista, sem parcimónia, o que o ano trouxe à cidade. Ou seja, este é um balancete e não um inventário. Para minha tranquilidade e para não tomar ao leitor o seu precioso tempo. Assim sendo:

Para cima:
- Por uma questão de economia de espaço, subscrevo e incluo os activos culturais e cívicos já aqui assinalados.
- O precioso papel desempenhado pelo TMG na criação de uma massa crítica na cidade. O qual não passa só pela programação de espectáculos, como é sabido.
- O funcionamento razoável da ULS e do novo Centro de Saúde.
- A melhoria da rede de transportes urbanos
- As novas áreas comerciais.
- O novo traçado da linha Lusitânia Expresso (Lisboa - Madrid) via Beira Alta, com paragem na Guarda.
- As zonas verdes da cidade.
- O novo Hospital

Para baixo:
- Tudo o que se disse na introdução
- A venda não devidamente explicada do Hotel Turismo.
- Muitos pavimentos em estado lastimável e passeios construídos de forma errática.
- A não solução para o edifício do ex-matadouro e para os antigos Paços do Concelho.
- O pântano em que se tornou o CyberCentro (com a página oficial em manutenção ad aeternum) e as ligações políticas suspeitas da Guarda Digital.
- A fraca mobilização cívica para uma contestação às portagens nas ex SCUT que não passe pelo demagógico e simples “não pagamos”.
- A transferência de serviços para outras bandas e o anunciado fecho da maternidade.
- Os líderes políticos locais e os deputados eleitos pelo círculo.
- O estado deplorável de algumas zonas do Centro Histórico e da Praça Velha em particular.
- A situação preocupante do IPG
- O novo Hospital."