terça-feira, 30 de agosto de 2011
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Mãe
Faz hoje um ano que a minha mãe se foi deste mundo. Nada do que possa aqui dizer mudará esse facto, ou afastará esse vazio. Por isso, limitar-me-ei a passar de novo o que no dia da sua morte escrevi. Sabendo talvez que estas palavras me hã-de escrever para sempre.
Uma mãe não é só a árvore de onde brota a seiva. Não é só a luz que teima em brilhar no fundo da escuridão. Não é só o amor/combate. O amor que nunca chega tarde. O amor tantas vezes desperdiçado. Tantas vezes deste reino e, por isso, de outro mundo. Tantas vezes vagueando pelas áleas pejadas de folhas outonais e sorrindo pelos prados primaveris. Tantas vezes estendido como um lençol tão grande que a nossa alma nunca irá abarcar. Tantas vezes uma rendição incondicional sem vencedores nem vencidos. Uma mãe é a única lição conhecida. O discreto esplendor da delicadeza. O farol que guia e mesmo apagado não descansa. O poema que uma vida não basta para escrever. E todas as lágrimas não chegam para lembrar.
domingo, 21 de agosto de 2011
A imagem íntima da luz...
Representamos o objectivo e o subjectivo, a quantidade e a qualidade, o número cardinal e o ordinal, a desordem corpuscular e a música das esferas, a fatalidade e a liberdade. Representamos tudo isso, num cenário sólido, líquido e gasoso. E, por isso, comemos, bebemos, e respiramos; - três virtudes do fôlego animado, porque muda o que come, em sensações, o que bebe em sentimentos e o que respira em ideias claras ou obscuras, conforme é límpido o ar ou enevoado… É de sólida origem a sensação; o sentimento é já de origem fluídica; e, então, o pensamento é só cor azul ou imagem íntima da luz…
Aforismos, Teixeira de Pascoaes, selecção e organização de Mário Cesariny
Nota. neste mês estive em Amarante, terra-natal do poeta. Foi impossível visitar o solar da família. Como compensação, pude "visitar" algumas obras do pintor Amadeo de Souza-Cardoso, no Museu Municipal com o mesmo nome.
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terça-feira, 16 de agosto de 2011
O meu querido mês de Agosto
As festarolas de aldeia (e não só) que por aí pululam em Agosto nesta enormíssima província... Ora aí está um belo tema para abordar. Abordar? Confesso que esta palavra, com curso legal no eduquês e na preguiça disfarçada de escolês com trejeitos de erudição, me deixa fora de mim. Ei malta, 'bora abordar??? Ó Raquel, deixa-me colocar mais acima, para abordar melhor a tua orografia! Ora agora abordo eu, ora agora abordas tu... Pronto, já chega! Neste desiderato, só conheço um tipo de abordagem. Essa sim, um caso sério. Ou seja, o seu uso em contexto náutico. Imaginem então a selvajaria e inpiedade de um assalto a um navio por flibusteiros como Calico Jack, Capitão Kidd, Anne Bonny, ou Henry Morgan. Vá lá, não façam cerimónia com a a imaginação. E digam lá se, neste quadro, a palavra abordagem não adquire o seu legítimo e pleno significado... Ah, mas estava a falar de quê? Pois, as festas "populares" de Verão. Confesso que, sobre o tema, há muito pouco a dizer. Ou se há, eu ou alguém já o fez com acerto. E não me apetece adiantar seja o que for a propósito.
Proporção
Quanto mais estranhos, mais íntimos
Aforismos, Teixeira de Pascoaes, selecção e organização de Mário Cesariny
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