Aforismos, Teixeira de Pascoaes, selecção e organização de Mário Cesariny
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Repudiar o repúdio
![]() |
| Fonte: "Café Mondego" |
domingo, 16 de janeiro de 2011
E agora, algo completamente diferente
Aquele amanhecer foi mesmo penoso. De bom, só havia a reconfortante vaga canora dos pássaros. O ruído de fundo da eternidade. Podia ser. Essa de que o tempo é a imagem móvel. Poesia pura, o melhor de Platão. Mas pronto, devia andar sempre com um bloco de notas directamente ligado às impressões sem data. Ao fulgor de certas paisagens que nunca existiram, porque demasiado reais. Todavia, estão ali, com uma luz impossível, ao alcance de uma lágrima, de uma pequena obscuridade lançada pelo desejo. Mas acontece que essa rudimentar tecnologia poética só aparece na medida em que nada se espere dela, pois nada garante. A não ser, talvez, o sobressalto de não saber o que se pode deixar para trás.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
a Tia foi à maTa de moTa
Segundo foi anunciado, amanhã o Prof. Malaca Casteleiro virá ao Instituto Politécnico da Guarda, onde proferirá uma conferência, intitulada "O novo acordo ortográfico". Como é sabido, o académico é o artífice principal do mencionado acordo. Que, pelos vistos, não perde uma oportunidade para defender a sua dama. Ou seja, caucionar cientificamente decisões políticas tomadas previamente por quem o contratou para a "empreitada". Ora, como já foi expresso pela opinião pública contrária ao acordo, para além da eminência, dos "especialistas" que coadjuvaram no cozinhado e dos zelotas politicamente correctos do costume, ninguém compreende a necessidade do aludido "acordo". Nesta nota da minha página do Facebook encontrarão uma súmula dos argumentos que utilizei ou transcrevi neste blogue, em defesa da preservação da língua portuguesa. Para que conste, NUNCA irei respeitar a nova norma, que irei combater por todos os meios. Sucede que deixei um comentário noutro blogue acerca do tema e da referida conferência. Logo uma "especialista" (que não conheço de lado nenhum) veio à carga, chamando-me (e aos críticos do Acordo) "ignorante" e desconhecedor dos "princípios orientadores e basilares das novas teorias", alvitrando mais à frente que "talvez nem nunca me tenha dado ao trabalho de as ler". Claro que, quando se trata deste tipo de argumentário, quem o esgrime possui quase sempre o dom da infalibilidade e da omnisciência. À falta de outras armas, procuram contradizer os argumentos contrários diminuindo os seus autores. No fundo, para mim, são velhos conhecidos. Que assumem inúmeras formas, qual delas a mais caricata. Desta feita, caso invulgar, respondi à comentora no lugar próprio. Sugerindo, entre outras coisas, que esta se informe melhor sobre o que sobre o assunto já tornei público e que a humildade e a civilidade são sempre boas companheiras nesta azáfama do espaço público. Para Lá do que foi dito, subsiste ainda um ponto fundamental. Ou seja, qualquer língua é um corpo móvel, permanentemente reinventado e quase sempre auto-determinado. As transformações acontecem naturalmente, como uma espécie de resposta a diferentes ambientes e condicionalismos. Não é um assunto de especialistas, pois interessa a todos os que a falam e, por isso mesmo, são os seus únicos intérpretes. Quando aparece um grupo de académicos a fazer esse trabalho em representação de todos, algo está mal. E quando os seus postulados são seguidos cegamente pelas legiões de sub-académicos que "acham muita piada" às sumidades que, nos seus gabinetes, decretaram o futuro da português, como é o caso da comentadora, então a situação é trágica. À semelhança de milhões, a língua portuguesa é a minha ferramenta primordial de trabalho, a minha janela para o exterior, a cifra que me permite descodificar o mundo. Está fora de causa aceitar que um punhado de "especialistas" legislem, sem qualquer justificação, sobre algo tão precioso e inconspícuo.
Etiquetas:
acordo ortográfico,
linguagem
A preparação do actor
Algures durante a semana anterior, passou um programa no Canal Odisseia acerca da linguagem gestual aplicada aos políticos. O universo em análise era claramente o anglo-saxónico. Onde, como é sabido, foi consagrada a gestão da imagem dos actores políticos como uma tarefa de primeira água. E nada aí é deixado ao acaso. A partir de um determinado nível de exposição pública e de importância institucional, qualquer político que se preze terá que dominar um conjunto básico de procedimentos mais ou menos estilizados. Os quais são imprescindíveis para uma performance convincente, fazer passar uma mensagem positiva e reforçar a credibilidade. Ou seja, a forma capturou o conteúdo. Um bom político terá que ser necessariamente um bom actor, mas onde os gestos obrigatórios esmagam os artísticos. Dito de outra forma, um político bem sucedido não poderá jamais descurar um conjunto de técnicas de comunicação gestual, aplicadas a situações bem determinadas. E cuja margem de disponibilidade para o próprio é muito reduzida. Eis alguns exemplos referidos no programa:
1º O orador político deve convencer a audiência da espontaneidade e da naturalidade das suas declarações, o que se traduz na conveniência em aparecer primeiro o gesto e imediatamente depois as palavras. E de esse gesto (preferencialmente utilizando as mãos e a cabeça) ser dirigido exactamente para o mesmo lado para onde se fala. O exemplo mais conhecido de como a inobservância deste procedimento pode ter consequências trágicas, também referido na transmissão, foi o da célebre negação de Clinton em relação a aventuras sexuais com Monica Lewinski. O Presidente americano não só apontou com o dedo para o lado oposto para onde falava, como parou de agitar subtilmente a cabeça em sinal de negação enquanto proferia a declaração. Resultado: poucos ficaram convencidos de que dizia a verdade.
2º Em contexto mediático, um político não pode nunca deixar um gesto a meio. É um péssimo sinal de hesitação e falta de firmeza. Exemplo: a conhecida sequência da entrada de Blair na sua residência oficial em Downing Street, acompanhado da mulher, logo após ter sido empossado pela Rainha no seu 1º mandato. A certa altura, o novo Primeiro-Ministro passa o braço pelos ombros da mulher, que interpretou o gesto como sinal para o beijo protocolar. De imediato se voltou para Blair, o qual, em vez de consumar o ósculo, continuou a acenar à multidão, ignorando (olimpicamente) a mulher. Percebendo o erro, pouco depois abraçou-a, mas sem convencer ninguém da autenticidade do gesto. Claro que, nos dias seguintes a imprensa britânica não poupou as críticas a Blair pelo seu "repúdio". Graças a um deslize aparentemente inócuo, os tablóides ousaram passar por cima do estado de graça próprio dos vencedores.
3º Outra técnica, utilizada especificamente em campanhas eleitorais, consiste em o candidato, antes e, sobretudo, depois do seu discurso, apontar para pessoas determinadas na audiência e, em seguida, saudá-las de forma individualizada. O recurso é claramente cénico, pois o candidato não aponta para, ou saúda realmente ninguém. Quer simplesmente transmitir a mensagem de que certos cidadãos, de quem ele é "próximo", quiseram vir engrossar o seu caudal de apoiantes. E que esses cidadãos podiam ser um qualquer "de nós". E de que a referida "proximidade" reforça a ideia de confiança dos eleitores no "seu" candidato. No fundo, é a evocação trivial da velha ideia liberal do "contrato social " de Locke, fundadora da democracia americana. Pelas imagens mostradas na emissão, quer Obama quer Hillary Clinton, usaram e abusaram do expediente, durante as últimas eleições presidenciais.
Notas:
I - Stanislavski que me perdoe a utilização do título homónimo do seu livro, para fins tão pouco artísticos.
II - Após o tristemente célebre acordo ortográfico, "actor" passou a "ator". Algo muito próximo da designação do deus escandinavo, mas que nem por isso afasta a desgraça.
Etiquetas:
comunicação social,
imagem,
política
Subscrever:
Mensagens (Atom)


