quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Preces atendidas - 34

Debra Winger

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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Números

Um facto facto, decerto ignorado pelo beautiful people das causas fracturantes e por um Governo que cada vez menos entende o país: pela primeira vez na sua história, 600.000 portugueses estão no desemprego.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Meu amor sem nome

Há muitas razões para legalizar o que existe e segue uma certa prática, e mesmo algumas regras. A guerra, que por já várias vezes foi posta fora da lei ou desencadeada para acabar de vez com todas as guerras: não acabou. A droga, que obedece a certas regras e está até na origem da sobrevivência e do desenvolvimento económico de povos e zonas do Mundo: talvez só se drogue quem quer, dizem. A escravatura ou a pirataria, que ainda existem. Quanto à escravatura, há associações dos direitos de quem se submete ao tipo de escravidão sado-masoquista. Temos os vulcões, as catástrofes, as pragas, que obedecem a regras.

O Tribunal europeu dos Direitos do Homem aprovou o conceito de «casamento abrangente» que se alarga ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, à adopção de filhos e que se pode combinar com inseminação artificial. Está em causa ainda o casamento poligâmico ou poliândrico que são costume entre outras culturas, nomeadamente a islâmica, ou mórmon, cujos membros se podem estabelecer entre culturas onde a lei nunca permitiu esse tipo de casamento. Tudo o que é possível passa a ser apenas exigido que venha à luz e se regularize, que seja apreensível pelo cumprimento de certas regras. Assim foi com a guerra, que começou por ser algo onde as regras não existiam e se tornou algo disciplinado. Como a pena de morte. Como a prostituição. Mas não é o facto de seguir regras que faz duma prática algo que nos satisfaz. E o que não nos satisfaz, nós queremos corrigir. Sobre o que é satisfatório ou não, há dois critérios: o que pensa a maioria e o que pensam as pessoas interessadas. Ora, no caso dos casamentos gay, há duas combinações possíveis: há interessados que querem e a maioria aprova. Já o mesmo se não passa com as organizações que perfilham a ideologia fascista: a Constituição diz que a maioria as proíbe embora os interessados as queiram. A igreja satânica pode deparar com um problema semelhante: os interessados querem-na mas a maioria rejeita-a em nome da ordem pública ou dos «bons costumes». Talvez a maioria venha a consentir. O mesmo se passará com o conceito de «Portugal», ou de «Estado», de «Lei», de «Sexo», de «Vida», de «Amor», de «Vida Humana», de «Homem», de «Propriedade», de «Liberdade». Todas as palavras são relativas e quem lhes define o alcance, é a conjuntura, às vezes a Força, da maioria, às vezes a maioria do dinheiro. Quem não tiver força, não poderá resistir, até que arranje força, porque, desse modo, tudo será permitido para alargar o conceito da palavra. Sempre foi assim, dizem.

Ora não há casamento, matrimónio, marriage, Heirat, etc., sem um esposo e uma esposa, sem um noivo e uma noiva, pelo que não pode haver um casamento entre um Homem e um Homem ou entre uma Mulher e outra Mulher. A palavra foi forçada, porque ninguém quis ouvir que uma palavra tem um conteúdo mais estabelecido do que aquele que lhe queremos dar. Podem inventar uma palavra qualquer para o «casamento gay» mas não será casamento, ou então, o casamento semelhante ao «casamento gay» não será mais um casamento e as pessoas que se querem casar já não o poderão fazer apenas pelo civil, de modo a perceber-se que significado da palavra assumiram se não estavam bêbedos ou forçados. Assim só se estimula que as pessoas adoptem um código de conduta e um significado das palavras que não seja aquele partilhado e debatido pelo público, mas aquele que entenderem, nomeadamente o de seitas fundamentalistas de todos os tipos. É que, o que se diz, não é o que cada um pensa ou o que pensa quem tem a força de impor um significado. Há-de ser um caminho intermédio entre o que cada um pensa e o que a maioria quer. Mas nem o que cada um pensa nem o que a maioria quer são critério para dizer que o céu é «azul» ou que a lua é «branca». Nem mesmo o que todos pensavam, muitas vezes, se revelou ser verdade. Às vezes, um, só, estava certo.

André

Noites brancas



A Guarda ontem à noite.

Prémio Café Mondego

Numa feliz iniciativa do blogue "Café Mondego", foi criado um prémio com o mesmo nome, onde se irá distinguir anualmente uma figura da Guarda. Isto de acordo com as preferências de um júri constituído para o efeito, integrado este ano também pelo escriba. Segundo Américo Rodrigues, autor do blogue e da ideia, a atribuição do prémio escapa à lógica circular mediática ou institucional e não tem qualquer expressão monetária. Na sua primeira edição, foi ontem tornado público o vencedor do galardão. Trata-se de António Monteiro Igreja, mais conhecido pelo "Sr. Igrejas da Egitana Musical". As menções honrosas foram para Carlos Baía e o proprietário da tasca do Benfica. Para mais informação, recomendo uma visita ao blogue. Aqui.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Notícias do interior

Hoje de madrugada, atirei a posta no Facebook: "Aqui pela Guarda, esta noite vai descer mesmo aos -8º, se não for mais. Esta sensação única de andar na rua com a cara anestesiada, o nariz inexistente e as mãos roxas faz-me tornar mais solidário com os habitantes de Novossibirsk e o peixe congelado em alto mar." Mais tarde, li a prosa e pensei logo: "Olha, olha, o gajo a armar! Grande coisa! Isso é para meninos! Dás música, mas não alegras!"... Belo seria outro gesto mais afoito. Mais incendiário! Mas o quê? O quê? Claro que esta interrogação foi puramente retórica, pois os dados estavam lançados... Querem saber? Pois bem, praticar hoje um dos meus desportos radicais favoritos. Ou seja, percorrer a Guarda de noite quando coberta de neve. Mas não é uma neve qualquer. Tem que ser uma espécie de poeira gelada, que no chão parece chantilly iridescente. Que nunca chega a empapar. Rebelde à consistência, omnipresente. Que o vento espalha como poeira, mas que comprimida se transforma num gelo melífluo. Portanto, caros amigos, passarei agora aos conselhos úteis: roupa e calçado adequado, meia garrafa de "Bushmills" no papo, uma boa máquina fotográfica e um leitor de MP3 artilhado com Herdningarna à discrição. O "Hippjokk" e o "Karelia Visa" servem...Até depois...

sábado, 9 de janeiro de 2010

Lido

(...)
Em vós escrita vi
vossa grande dureza,
e n' alma escrita está que de vós vive.
Não que acabasse ali
sua grande firmeza
o triste desengano que então tive;
porque antes que a dor prive
de todo meus sentidos,
ao grande tormento
acode o entendimento
com dous fortes soldados, guarnecidos
de rica pedraria,
que ficam sendo minha luz e guia.

Destes acompanhado,
estou posto sem medo
a tudo o que o fatal destino ordene;
pode ser que, cansado,
ou seja tarde ou cedo,
com pena de penar-me, me despene.
E quando me condene
- que isto e o que espero -
inda a maiores dores,
perdidos os temores.
por mais que venha, não direi: não quero.
Contudo estou tão forte
que nem me mudara a mesma morte.

Canção, se já não queres
ver tanta crueldade,
lá vás onde verás minha verdade.

Camões, Canção III