já lá vão as vindimas. como um sol de soluços afagando as sombras. já lá vão os príncipes sem império. espalhando gestos. apelos. facécias. sonhos de cartão. e eu bebo-te. vegetal. nos poços estagnados. enquanto a espuma avança. por entre os reflexos ondulantes. as mãos não sentem. viajam perdidas para lado nenhum. algures na noite. soltem os lobos. agora. nada os poderá deter. nas penedias geladas. no trevo que já foi.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
A pista
Na semana passada, desloquei-me a Cascais, onde "aluguei" uma das biCas do programa municipal com o mesmo nome. Destinado à utilização gratuita de bicicletas, mediante identificação. O objectivo era percorrer a pista recentemente construída ao longo da costa, até ao Guincho. Após uma breve incursão na "Boca do Inferno", tentando ignorar o pesadelo das barracas de quinquilharia, nova paragem num local bem mais acolhedor: a "Casa da Guia"., logo antes do farol com o mesmo nome. Trata-se de um espaço comercial e de restauração, com óptimas esplanadas junto à arriba, em volta de uma mansão em estilo revivalista, recém-restaurada. O conjunto goza de uma disposição bastante agradável. Aconteceu então. Cá fora, à entrada de um alfarrabista, logo no cimo de uma pilha de livros a preços convidativos, deparo-me com um exemplar da edição na imagem. Trata-se de "Tempo de Solidão", um conto de Manuel da Fonseca, com desenhos de... Maria da Luz Lino (Estúdios Cor, 1969)*. Nem queria acreditar no que estava a ver! Em parte porque desconhecia esta colaboração da Maria Lino. De cuja obra, lembro, vai ser inaugurada uma exposição no TMG, no próximo dia 13. Mas também porque, no dia anterior, tinha visitado o belíssimo centro histórico de Santiago do Cacém, terra natal do autor de "O Fogo e as Cinzas". E onde se inspirou para alguns dos seus melhores contos. Ocorreu-me que os livros podem refazer qualquer lógica, ligar o impensável. Não só porque os podemos ler, mas sobretudo porque nos encontram. A procurá-los.
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Vinte é a conta que Deus fez
Segundo o Portugal Diário online, "A marca nacional Portugal é a 20ª mais atractiva entre uma lista de 38 países, elaborada com base num estudo internacional, relativo ao segundo trimestre deste ano, que questionou mais de 25 mil pessoas através da Internet, noticia a Agência Lusa. (...) O estudo foi feito com base em entrevistas a 25,9 mil indivíduos com idades entre os 18 e os 64 anos, oriundos de 35 países e registados na Internet. (...) A percepção de uma marca nacional tem como base seis critérios: população, cultura e património, investimento e imigração, governo, exportações e turismo".
Sempre achei que o principal é ficarmos sempre nos primeiros vinte. Entretanto, pois, vai-se andando, tem que ser. Maravilha das maravilhas seria subornar o 19º, em vez de não nos deixarmos ultrapassar pelo 21º. Além disso, no meio do meio é que está a virtude. Mesmo assim, pode-se sempre acusar os entrevistados de andarem com muito más companhias. As tais que só sabem caluniar as delícias da nossa burocracia e do nosso atavismo. Comprados, é o que foram! Bah!
Sempre achei que o principal é ficarmos sempre nos primeiros vinte. Entretanto, pois, vai-se andando, tem que ser. Maravilha das maravilhas seria subornar o 19º, em vez de não nos deixarmos ultrapassar pelo 21º. Além disso, no meio do meio é que está a virtude. Mesmo assim, pode-se sempre acusar os entrevistados de andarem com muito más companhias. As tais que só sabem caluniar as delícias da nossa burocracia e do nosso atavismo. Comprados, é o que foram! Bah!
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Acto seguinte
Arranca este sábado, no TMG, mais uma edição do "Acto Seguinte". A peça inaugural será "Começar a acabar", de Samuel Beckett, pelo ACE - Teatro do Bolhão, direcção e interpretação de João Lagarto. Um grande espectáculo em perspectiva. O (excelente) cartaz é da autoria de Jorge dos Reis. Para mais informações, consultar aqui.segunda-feira, 1 de setembro de 2008
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