quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Contraponto (3)


Andei ontem a vasculhar pela casa, nos arrumos em forma de biblioteca, as existências do
Luiz Pacheco, cuja bibliografia completa pode ser consultada aqui. O rol do que foi encontrado vai assim composto:
1. "Exercícios de Estilo"", 1973, Ed. Estampa. Esta colectânea inclui, entre outros textos, "O Teodolito", "Comunidade", "O que é o neo-abjeccionismo", "Um casto milagre", "O caso das criancinhas desaparecidas", "Conversa de três" e "O caso do bife voador".
2. "Pacheco vs Cesariny", 1974, Ed. Estampa. Reune correspondência entre ambos, de Luiz Pacheco com várias figuras do mundo artístico e editorial, e ainda fac-símiles de desenhos, bilhetes manuscritos, fotografias e manifestos colectivos, como o célebre "Caca, Cuspo & Ramela" (Pacheco, Natália Correia e Manuel de Lima).
3. "Textos de Circunstância", 1ª edição, 1977, Fronteira. Contém, por exemplo, a "Carta Sincera a José Gomes Ferreira e o panfleto "A PIDE nunca existiu". (Já vi pedir 50 euros por volume idêntico, no portal oficial não-oficial de L. P. Ups!)
4. "O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o seu Esplendor", 1992, Colibri. Tem um prefácio de Victor Silva Tavares e textos de Maria Alice Veiga Pereira, Júlio Moreira e Alexandre Pinheiro Torres.
5. "O Teodolito", "composição neo-abjeccionista", incluído na antologia "Surrealismo/ Abjeccionismo", organizada por Mário Cesariny, Edições Salamandra, (edição fac-similada da original, publicada pela Minotauro, em 1963)
6.
O poema "Coro de escárnio e lamentação dos cornudos em volta de S.Pedro", incluído no volume "Antologia da poesia erótica e satírica", organização de Natália Correia, 1999, Antígona (1ª edição, 1966, Afrodite). O texto pode ser encontrado aqui.
7. Revista "Ler", nº 31, Verão de 1995, com um dossier especial dedicado ao escritor.
8.
Revista "Periférica", nº8, 2004, com excerto de "Diário Selvagem" (referente a 1993, inédito) e "Luiz Pacheco em Massamá - ou retrato do escritor enquanto alcoólico", um dossier assinado por João Pedro George que inclui alguns textos dispersos de L.P., publicados em jornais.
9. Um arquivo abundante, incluindo as célebres entrevistas à revista K e a João Pedro George, a transcrição de uma entrevista inédita, efectuada pelo meu amigo Pedro Baptista -Bastos em 1994, registos em vídeo, uma reprodução da capa do panfleto "O caso do sonâmbulo chupista" e um bilhete da peça "Comunidade" (Teatro do Bairro Alto, 1988), uma encenação de José Carretas com interpretação memorável de Cândido Ferreira. (Nota: poderão ver aqui uma fotografia do espectáculo.

Agora, mais do que tecer hagiografias ou encómios de circuntância, (re)leiam o Pacheco. Dele acabará por ficar o que escreveu. A verdadeira pièce de résistance. O resto resumir-se-á à lâmpada de um novo Diógenes. Pela minha parte, já descobri material para (re)começar.

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Blogossário - 7

Fisking - uma refutação, ponto por ponto, de uma entrada num blogue ou de uma notícia. Um fisking com estilo é espirituoso, lógico, sarcástico e impiedosamente factual; os exageros e as depreciações são mal-vistos. O nome advém de Robert Frisk, um jornalista inglês que era muitas vezes (e merecidamente) alvo de tal tratamento.

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Jamais, jamais

Só umas questãozinhas: porque é que o homem da fotografia ainda faz parte do Governo? Alguém de boa fé acredita nas explicações de Sócrates para esta viragem? Será a "ética da responsabilidade" a funcionar?

Contraponto (2)

Sobre Luiz Pacheco, três textos de leitura obrigatória:

1. "Lá se despachou finalmente, coitado, o Pacheco", de Paulo Querido
2. José Mário Silva, no Bibliotecário de Babel.
3. "O Portugal de Luiz Pacheco", de Rui Ramos, no "Público" de ontem.

Não resisto a citar o segundo: "Morreu o Pacheco. O escriba sem medo, o maldito, o bendito, o sacripanta, o pelintra, o míope, o desbocado, o crava, o madraço, o arrasa-livros, o salva-livros, o editor extremoso, o pai aflito, o prosador desassombrado, o lúbrico, o chico-esperto, o espalha-brasas, o fura-vidas, o franco-atirador, o asmático que berrava, o trafulha , o remetente de cartas intermináveis e outras fúrias epistolares, o abjeccionista, o lírico inesperado, o procrastinador, o coscuvilheiro, o crítico que atirava à cara tudo o que tinha a dizer, o marginal, o amigo da onça, o polemista sem meias medidas, o hiper-lúcido, o inimputável, o português mais português de Portugal (no seu jeito malandro de oscilar entre a grandeza e a miséria)."

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Preces atendidas - 20

Ava Gardner

Ser ou não ser

1. Não me espantaram as hesitações cirúrgicas de Sócrates ao longo da semana, relativamente à forma de aprovação, pela ordem jurídica interna, do Tratado de Lisboa. "História da carochinha" é como lhe chama, com propriedade, JPP. "Vómito", diz o Maradona. Considero que se trata, sobretudo, de teatro de má qualidade. Uma encenação medíocre para um remake de um monólogo hamletiano. Onde o príncipe, torturado pela dúvida e atemorizado pelos recados sibilinos que lhe chegam das cortes europeias, acaba por declarar à populaça que não teve outro remédio senão mandar assinar o novo regulamento da intendência pelo seu Conselho Privado. Afinal, o parco tributo que o remorso por uma promessa não cumprida teve que pagar à realpolitik. Com um episódio paranormal pelo meio, a "ética da responsabilidade". Kant deve ter espumado de indignação na sua cova. Mas se a encenação é má, o produto mediático é convincente. Por esse lado, a vida tem corrido bem a Sócrates.
2. Malgré tout, a solução encontrada, isto é, a aprovação por via de ratificação parlamentar é, sem dúvida, a mais acertada. No artigo "Quatro notas sobre o referendo", Rui A. explica de forma lapidar porquê. A ideia de que o processo de integração europeia pressupõe um conjunto de opções necessariamente vanguardistas foi decisiva na minha convicção. E não é pela ausência de um plebiscito desnecessário que os processos típicos de decisão democrática, ou a soberania dos vários estados-membros ficam diminuídos.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

O 1º de Abril é quando um homem quiser

Que fique claro, pela pintilhésima vez: É TUDO MENTIRA!