terça-feira, 4 de setembro de 2007

Ainda a propósito da "Festa"

1º Como bem lembrou um leitor, falta ainda referir um dos convivas de luxo na festa dos comunistas, este fim de semana: o Partido Comunista da Federação Russa. Pela mão do sinistro Zyuganov, já conseguiu não só reabilitar Estaline como aliar-se estrategicamente à extrema-direita e ao nacionalismo mais retrógrado (a Rússia como a nova Atlântida Vermelha, etc.). Fazendo pois um grande jeito a Putin, que assim aparece como "moderado". Toda a história contada aqui e lembrada aqui e aqui.

2º O Marxismo faliu em toda a linha como programa de acção. Nem mesmo os "comunistas" ainda falam em seu nome. Bem pelo contrário. Marx sobreviverá na galeria dos pensadores como o melhor intérprete das consequências da revolução industrial no séc. XIX. Em contrapartida, temos o maior dos seus contraditores, embora não declarado: Max Stirner. Marx dedicou-lhe postumamente a única obra intuitu personae que escreveu - "São Max" - um volume enorme onde refutava as suas teses. Stirner foi homem de um só livro: "O Único e a sua propriedade". A obra maldita do pensamento filosófico contemporâneo, que aqui e aqui tive ocasião de analisar. Marx perdeu. Stirner teve razão antes de tempo. É que não é a luta de classes que faz mover a história, mas o(s) indivíduo(s).

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Stalker

A cegueira

Li há pouco o livro de memórias de Maria Filomena Mónica, intitulado "Bilhete de Identidade". Aparte o comentário à obra, que ficará para outra altura, detive-me num episódio relatado na página 325. No início do "Verão quente", em Maio de 1975, Jean-Paul Sartre foi fotografado a empunhar uma G-3 à entrada do Ralis, o celebrizado quartel general dos SUV (Soldados Unidos Vencerão) e onde teve lugar o famoso juramento de bandeira com o punho erguido. O chamado turismo revolucionário estava no auge. Todos os dias desembarcavam em Portugal resmas de artistas e intelectuais franceses com a ressaca do Maio de 68, deslumbrados com uma revolução doce e portátil. Touraine, Cohn-Bendit, Althusser e outros andaram por aí, tentando perceber porque é que um sopro mais forte fez ruir um regime ditatorial. E também comprovar, no convívio com o povo "genuíno" e os seus ainda mais "genuínos" intérpretes, a validade do seu pensamento engagé. Nesta altura, o marxismo era tema obrigatório, mesmo nas Universidade mais conceituadas. Poucos eram os intelectuais "de esquerda" que ousavam criticar o "socialismo real" praticado a Leste, apesar da Hungria e da Primavera checa. A simpatia de alguns iconoclastas ia para... a revolução cultural chinesa. A linhagem de Sartre provem de Breton, Aragon, Éluard, Malraux. Todos eles fascinados com Estaline e as delícias dos planos quinquenais. Nunca se ouviu das suas bocas a mais leve alusão aos kulaks. Que descansem em paz.

domingo, 2 de setembro de 2007

Os amigos são para as ocasiões

Este ano repete-se o escândalo: entre as várias organizações "amigas" do PCP presentes na Festa do Avante, no próximo fim de semana, pontuam as FARC (um grupo narco-terrorista colombiano que sequestrou Ingrid Betancourt, candidata à presidência naquele país, e matou 11 deputados também raptados). Já no ano passado a situação foi amplamente denunciada na blogosfera, tal como alertei nesta postagem. Confirmadas estão igualmente as presenças do Partido Comunista de Cuba, Partido Comunista da China, Partido Comunista da Bielorússia e PT da Coreia do Norte. Estruturas que, como se sabe, velam pelo estabelecimento dos direitos fundamentais e das regras democráticas nos respectivos países. E que, correspondendo ao apelo do partido irmão, se vêm reunir em volta do fogo da solidariedade internacionalista. Nunca como aqui foi tão verdadeiro o ditado popular "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és". Todavia, a escassez de reacções condenatórias é aviltante: grande parte da comunicação social e da opinião pública "de esquerda" continua a ignorar a afronta. Como se a máquina comunicacional do PCP, que não cessa de enaltecer as virtudes monstruosas do "socialismo real", criasse um muro de silêncio, capturasse uma autoridade moral tão anacrónica como insuficientemente desmontada. Criando um inconfessado escrúpulo em encarar os factos: à medida que iam chegando os sinais da derrocada do movimento comunista internacional, o PCP foi-se acantonando à volta de fantasmas, de ícones de uma meta-história desmentida pela História, de monstros nascidos do ressentimento e da ausência da razão. Tal como na célebre gravura de Goya.

Consultar aqui a lista das reacções havidas na blogosfera sobre o assunto.

Publicado no jornal "O Interior"

Momentos Zen - 19

O pescoço do cisne, acima e abaixo no lago sonolento.

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Graffitis - 18


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sábado, 1 de setembro de 2007

Lido

"Agora como há dez anos, de Diana Spencer não adianta lamentar a morte. Mas sim a vida triste que – noblesse oblige, dirão uns tantos – teve de viver. E a de tanta gente que dentro de tanta tristeza consegue descobrir glamour e sinais de felicidade."

Rui Bebiano, no "Terceira Noite"